RESIDÊNCIA
NOVA YORK
São Paulo, 2024
130m2 (finalizado)
Colaboradores: Roberta Alecrim
Construtora: MSD Construção
Fotos: Miti Sameshima
Entre tons e texturas, uma nova leitura do essencial.
O projeto de decoração teve como ponto de partida a estética já determinada na entrega do apartamento: piso de madeira, textura cimentícia e paredes de tijolo cerâmico definem a base neutra e sóbria dos ambientes.
A proposta consistiu em compor sobre essa base uma nova leitura, equilibrando tons frios e quentes na escolha dos tecidos, mobiliários e elementos de marcenaria desenhados sob medida.
O layout foi pensado de acordo com a rotina do cliente, que valoriza momentos de receber, além de integrar o interior à vista externa proporcionada pelo imóvel.

O galpão assume um papel central na distribuição dos espaços.
Seus acessos, posicionados nas extremidades, orientaram a definição de setores com diferentes graus de privacidade, enquanto os volumes verticais de circulação e o núcleo de banheiro organizam os percursos no pavimento inferior.
A estrutura existente também participa da delimitação dos ambientes. Elementos originalmente pertencentes ao galpão foram reaproveitados como apoios e divisórias, respeitando a modulação da construção e a geometria da cobertura em Shed. A intervenção preserva a leitura do conjunto, permitindo que os novos elementos convivam com a escala industrial do edifício.
A luz natural atravessa o galpão e participa da definição de seus diferentes ambientes. Aberturas e rasgos de luz foram pensados para favorecer a ventilação cruzada e a iluminação, enquanto superfícies translúcidas filtram a luminosidade e estabelecem limites visuais sem interromper a continuidade espacial.
Essa combinação permite criar áreas mais reservadas dentro de um espaço amplo, preservando a percepção de profundidade e a presença da estrutura. Ao longo do dia, a luz revela diferentes camadas da arquitetura, dos planos translúcidos às treliças metálicas que atravessam o interior.
O mobiliário participa diretamente da composição arquitetônica. Peças produzidas pelo próprio cliente convivem com objetos de diferentes épocas, enquanto estantes, mesas e elementos de armazenamento ajudam a organizar os ambientes sem depender exclusivamente de paredes.
A madeira do piso introduz uma escala mais próxima do cotidiano, em contraste com a estrutura metálica e as proporções generosas do galpão. O vermelho das treliças reaparece nos volumes e no mobiliário, criando uma continuidade cromática que atravessa o projeto.

Concebido inicialmente para o uso residencial, o Galpão Coelho preserva hoje uma organização espacial aberta a outras formas de ocupação. A estrutura preexistente, os elementos incorporados e a disposição flexível do mobiliário permitem que o espaço receba diferentes atividades, mantendo a arquitetura como referência para suas transformações.














