Onde o corpo
encontra o
espaço
Alguns objetos estabelecem uma relação direta com o corpo e, a partir dela, passam a organizar o espaço ao redor.
A poltrona é um deles.
Os lugares de permanência são um desses elementos.
Antes de qualquer leitura formal, ela se define por ajuste, apoio e permanência. Altura, inclinação e densidade não são apenas decisões técnicas, são escolhas que determinam como o corpo repousa e por quanto tempo ele permanece ali.
Quando observada em diferentes projetos, a poltrona revela variações que vão além da forma. Cada peça acompanha o ritmo do espaço em que está inserida, absorvendo suas tensões, sua escala e sua atmosfera.
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para conhecer o projeto completo.
No escritório Faria Lima, a poltrona Cubo, de Jorge Zalszupin,
aparece com clareza e contenção.
Criada nos anos 70, sua forma parece escavada de um bloco único, com linhas retas e um volume compacto que reforça a leitura geométrica do espaço. O estofamento profundo introduz conforto, mas dentro de um limite bem definido.
Já na Residência Pedroso, a MP-97, de Percival Lafer,
amplia essa relação.
Também dos anos 70, sua estrutura robusta em madeira maciça sustenta almofadas soltas, geralmente em couro ou camurça. A peça traz uma presença mais tátil e um conforto mais solto, acompanhando um uso mais prolongado do ambiente.
Na Sagitarius, a Poltrona Mole, criada em 1957
por Sergio Rodrigues, concentra peso e permanência.
Premiada internacionalmente, sua estrutura em madeira maciça sustenta almofadas amplas em couro, criando um assento mais baixo e expansivo. A peça altera o ritmo do espaço, convidando à permanência prolongada.
Já na Clodomiro, a Vidigal,
criada em 2010 pelo estúdio Lattoog,
traz uma leitura contemporânea.
A combinação de madeira e couro aparece em uma estrutura mais leve e fluida, com um desenho ergonômico que desloca a relação com o chão e introduz maior mobilidade no espaço.






