Onde o corpo
encontra o
espaço

Alguns objetos estabelecem uma relação direta com o corpo e, a partir dela, passam a organizar o espaço ao redor.

A poltrona é um deles.
Os lugares de permanência são um desses elementos.

Antes de qualquer leitura formal, ela se define por ajuste, apoio e permanência. Altura, inclinação e densidade não são apenas decisões técnicas, são escolhas que determinam como o corpo repousa e por quanto tempo ele permanece ali.

Quando observada em diferentes projetos, a poltrona revela variações que vão além da forma. Cada peça acompanha o ritmo do espaço em que está inserida, absorvendo suas tensões, sua escala e sua atmosfera.

Clique nas imagens
para conhecer o projeto completo.

No escritório Faria Lima, a poltrona Cubo, de Jorge Zalszupin,
aparece com clareza e contenção.

Criada nos anos 70, sua forma parece escavada de um bloco único, com linhas retas e um volume compacto que reforça a leitura geométrica do espaço. O estofamento profundo introduz conforto, mas dentro de um limite bem definido.

Já na Residência Pedroso, a MP-97, de Percival Lafer,
amplia essa relação.


Também dos anos 70, sua estrutura robusta em madeira maciça sustenta almofadas soltas, geralmente em couro ou camurça. A peça traz uma presença mais tátil e um conforto mais solto, acompanhando um uso mais prolongado do ambiente.

Em Natingui, a Vronka, de Sergio Rodrigues, desenhada em 1962,
aproxima ainda mais corpo e matéria.

A estrutura em madeira maciça, com encaixes precisos, sustenta almofadas generosas e evidencia o papel da marcenaria. A peça não apenas acolhe, mas reforça a atmosfera mais densa e envolvente do espaço.

Em Natingui, a Vronka, de Sergio Rodrigues, desenhada em 1962,
aproxima ainda mais corpo e matéria.


A estrutura em madeira maciça, com encaixes precisos, sustenta almofadas generosas e evidencia o papel da marcenaria. A peça não apenas acolhe, mas reforça a atmosfera mais densa e envolvente do espaço.

Na Residência Manuel, a S-1, de Percival Lafer,
introduz outra cadência.

Com desenho de 1976 e uma referência mais próxima ao repertório escandinavo, sua estrutura em madeira e o uso de espuma injetada constroem uma presença mais contida, onde o conforto se resolve com precisão e sem excesso.

Na Residência Manuel, a S-1, de Percival Lafer,
introduz outra cadência.

Com desenho de 1976 e uma referência mais próxima ao repertório escandinavo, sua estrutura em madeira e o uso de espuma injetada constroem uma presença mais contida, onde o conforto se resolve com precisão e sem excesso.

Na Sagitarius, a Poltrona Mole, criada em 1957

por Sergio Rodrigues, concentra peso e permanência.

Premiada internacionalmente, sua estrutura em madeira maciça sustenta almofadas amplas em couro, criando um assento mais baixo e expansivo. A peça altera o ritmo do espaço, convidando à permanência prolongada.

Já na Clodomiro, a Vidigal,

criada em 2010 pelo estúdio Lattoog,

traz uma leitura contemporânea.

A combinação de madeira e couro aparece em uma estrutura mais leve e fluida, com um desenho ergonômico que desloca a relação com o chão e introduz maior mobilidade no espaço.

Ao atravessar esses contextos, a poltrona evidencia como decisões aparentemente pontuais participam da construção do ambiente.

A forma como o corpo é recebido acaba definindo, também, a forma como o espaço se organiza ao redor.

Ao atravessar esses contextos, a poltrona evidencia como decisões aparentemente pontuais participam da construção do ambiente.

A forma como o corpo é recebido acaba definindo, também, a forma como o espaço se organiza ao redor.

Abril, 2026
Equipe Erriá

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